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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Relicário



Trago um apreço pelas experiências concretas
(me devolvem ao estado de consciência das coisas que são).
Robustas, as palavras, já pequenas diante dos fatos,
Escoram-se na demência do teu “não ser”.
Que me acena como uma deusa...
... Já tão distante,
Que quase me esqueço:
Que já fostes bem antes do teu adeus.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Conceito






Estou tendo um caso com o meu amor próprio.
Acho que estamos nos dando bem.
Já penso até em me casar.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Esconderijo



Mostra-me quem és.

Coloca na avenida a tua escola de samba.
Vem morrer de amor,
Pois é a única morte bem morrida.
Lava com meu gozo as tuas feridas.
Espalha em teu peito essa intensa alegria.
Ser, naquilo em que a dor quer impedir,
É o que nos há de maior que podemos ser!
Ser, naquilo em que ocultas e forças em obstar,
É o que de mais belo há quando sorris.
Singela demais é a mediocridade em não se permitir.
Grandiosa demais é a alma
(Quando ela é sem fim).
Foge da masmorra, foge...
...Assim, deixe que eu te conte um segredo:
O relógio não pára; a terra sempre gira.
E o tempo nunca se esquece,
De quem o esqueceu um dia.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Medida Certa


Medida Certa

Trago-te sol, para as tuas tardes de sombra.
Trago-te algumas gramas de amor,
Um quilo de desejo e outros tantos de alegria.
Busco nos teus olhos os campos em flores,
De teus insólitos desertos.
Cheio de amor,
Minha alma aos poucos se esvazia...
...Pingando como soro, em gotas,
Em tuas veias desidratadas pela dor.
Sobre a mesa, a garrafa vazia.
Lembrando-me certo vazio
(Que busco compreender),
Enquanto dele também me embebedo.
Sob cada gesto pálido,
Uma certeza me invade:
O quão é cheio de tolice
O amor desamado.
O quanto se invade de nada,
O tudo que deveria ser tudo.
Porque insiste ser nada?






sábado, 23 de abril de 2011

Notas



Notas
Em teu corpo...
Escrevo as partituras do meu desejo.
Somente em teu corpo...
Declino o meu sobre o teu em movimento
(Que suave se demonstra o solfejo dos suspiros em notas).
Em teu corpo...
Adormeço e amanheço quase inconseqüente
(Brigando contra o tempo que insiste em passar depressa).
Em teu corpo...
Abrigo o meu em decoro.
Em teu cheiro, em tuas formas,
Em teus sons, em teus sorrisos.
Tudo que é esse corpo.
Tudo que vem de ti.
Tudo que és e que passas diante de mim.
Esse corpo...
...Somente esse corpo.



segunda-feira, 11 de abril de 2011

O relógio, o elevador e o ventríloquo.


Fui convidado, nesse carnaval, a brincar em um bloco pertencente a amigos.

Como quase todo bloco, e por todos é sabido, bloco que se preza tem um nome desprovido. O danado é conhecido por Zé Ovão.
O danado do bloco sai lá pelas bandas de Olinda, na Rua do Sol, mas a casa onde se concentra, a parada é sinistra!
Na entrada, o portão, mais parecia de cemitério. E na frente, uns amarelo, gritavam num só condão: entre! É aqui mermo, pode entrar! Num tenha medo não!
Eu, que sou frouxo, mas não sou desprevenido, pensei logo depressa: Mas que parada é essa?! Pensei até em pedir apoio aos amigo, pois matuto que é matuto, bem previnido, é feito malandro: não bobeia!
Ao entrar pelo quintal da casa, que coisa mais estranha: me deparo com uma casa cheia de visita. E era tanta gente esquisita, que mais parecia “rala o in”, essas festa de americano, que nem chapéu de mexicano, que só gosta quem é de lá.
 Mas o tal bloco ainda não era e continuei a me adentrar. Eita! quintal mais cumprido! O portão parece de cemitério e não é que a casa é só mistério e a festa, aonde é que tá?
 Fui andando outro bocado. Parecia não ter fim. Eis que vejo muitos carros e a festança agora sim!
Eita! Que tinha muita cerveja, tinha feijoada, muita risada e um sorteio bem chinfrim.
Coisa pra tirar um sarro, de um bingo engraçado, cujo prêmio eu me calo, que é pra não ficar feio e os amigo, sem receio, no próximo ano, nem mais me convidar.
Tinha um músico da orquestra, que tocava o tal trompete, que me lembrou um tal filmím.
Ele tava tão chapado, que quando o instrumento ele assoprava, era um som ti lim ti lim.
Era desses toques de quartel que, quando se toca, todo mundo se levanta. E já lá pelas tantas, era fácil alguém ouvir, algum gaiato que gritava assim: dá pra tocar aquela do Rin Tin Tin?!
Quando todo mundo já tava bebo, o bloco inventou de sair. Mas era um povo tão morgado, que o fim já era ensaiado, e não é que acabou mermo, quando ainda mal havia começado?
Mas tinha ali por perto um bar por nome esperto, que se chama Maxambomba.  Pense num nome esquisito! E mais ainda era as roupa dos garçon, que mais lembrava escoteiro, com suas roupa engomada, em dia de parada, dando continência, sim senhor!
Sentamos em número de dez. Estávamos conversando alto e eis que um amigo me desafia assim: Me diga, olhando para aquele relógio, qual o defeito que ele esconde? Mas me diga sem demora antes que eu lhe conte!
E eu olhei e nada via, mas quando, como que por brincadeira, quando já tava quase encontrando, o danado não pôde esperar: era o tal algarismo romano, cujo quatro tava escrito, eram quatro, os palito, que o quatro queria indicar!
Eita, que eu falo é matutês! Mas que ignorância é essa, minha gente?! Então assim eu pensei: Pra quê tanto palito? Deve ser por causa do bar! Que é pra moide da gente, os dente empalitar.
Mesmo assim, ainda não foi esse tanto o meu riso. Eis que chega um cantador, com sua viola, e conversa com o garçom. E este, sem muita prosa, se dirige a uma porta e fica a esperar.
Dez minutos se passaram e o cantador ainda esperava por lá. O garçom, já preocupado, vai nas ouça do violeiro, como quem dá um conselho, e o danado, sem atropelo, invade a porta sem empurrar.
E eu que acompanhava estupefato, sem entender de fato, o seguinte a observar: pra onde leva aquela porta de elevador? E porque tanto tempo pra esperar?
Eis que me deparo mais uma vez com o hilário. Era, a tal porta do elevador, a porta do banheiro, mas que danado o marceneiro imitou a porta direitinho, e o meu pensamento, já de bebinho, foi tão longe, que nem pude parar!
Mas, agora lascou-se! E eu sorria e ninguém entendia. Mas eis que o pior ainda viria: O tal cantador, ao passar com sua viola, do banheiro que já saía, alguém na mesa lhe pedia, que uma música ele cantasse, pro moide a todos alegrasse, antes que a conta nos chegasse.
Pra minha total surpresa, o cantador com toda a sua destreza, toca as cordas da viola e anuncia o tal cantar. Mas a cantoria não vinha. E era feito noiva sem valsa, aleijado sem muleta, futebol sem apito.  Eita! E não mesmo esquisito? O relógio com algarismo inventado, O banheiro com porta de elevador e agora um violeiro ventríloquo?  É demais para a minha cabeça!
Comecei com uma crise de riso, ri que nem palhaço em dia de festa, que alguém franziu a testa e disse: eita! Mas vamos logo pedir a conta e antes que esse passe mal, me traga uma água mineral, o troco e um sonrisal!
Minha gente, essa estória de fato aconteceu! E é com H que eu a escrevo, que é pra não cair em erro, e o título desse texto bem que podia assim ser: O relógio, o elevador, o ventríloquo e o bêbado, que pra moide de se alembrar. E é bom que se diga, que isso só acontece em Olinda. Porque terra de gente bacana e bonita, só acontece coisa e tal. E afinal... Faltam quantos dias para o próximo carnaval?

sábado, 2 de abril de 2011

Leve



Leve

Vale-me o quanto pesa tudo o quanto não me pese a alma.
(Por convicção, atendo a seus caprichos).
É que pássaro, mesmo preso, sempre voa.
O que nasce para ser livre permanecerá livre.
Astuto é o tempo,
Que aos poucos nos define
Ao mesmo tempo em que nos leva.
Rasgo o verbo,
Corto o aço,
Bebo o vinho.
Mas é no doce e sereno sorriso de tua alma,
Que eu me vejo sorrindo em teus olhos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Empréstimo

Empréstimo

Já não me dou
(apenas me dôo).
Apenas me empresto.
Mas se não me quiseres,
Que sejas honesto em devolver-me por inteiro.
Sem riscos, sem vícios, sem marcas.
Devolva-me com o mesmo carinho de
Quando me emprestei.
Pois, quando me doei,
Emprestei-me como algo que se empresta a um amigo.
Sim...
...Devolva-me por inteiro.
Sendo assim, quando me quiseres de volta,
Ainda serei o mesmo de sempre.
Sem medo, sem raiva, sem dor...
Para que me possas levar novamente.
Para que possas ter a certeza do que queres.
E eu a certeza de quem me leve.



sábado, 15 de janeiro de 2011

Universo das futilidades


Entre o vale das sombras
E o sol ao céu esculpido,
Há um lugar de demência
Que se esconde em cada sorriso.
Sim, há uma falsa alegria!
Modelos de sonhos, caprichos de desejos.
Tudo sobrepõe o que não deveria.
Palavras, gestos, atos.
São expressões da pura agonia.
Da pura agonia que há nesse universo.
Que se chama futilidade.
Desse universo sem flores, sem bom dia,
Sem alma...
...(sem vida).
Oh! Universo das futilidades!
Consome-se tudo o que podem em teu nome,
Mas menos a mim!
Que apenas te observo e que sei o teu nome.
Mas não sabes o meu nem de onde vim.
Que ditas às regras, as crenças, os sonhos...
...menos a mim.
Que apenas te olho.
E vejo as massas a cumprir teu ritual de dança,
De crença, de desejos.
De desesperança.
Vivo sem ti,
Mas não vives sem mim.
Pena que, quem amo, não pense assim.
Pois entre o fútil e o sim,
Há um vale perdido onde se esconde o “não”.
Pouco convicto de si,
Pelo desuso de suas letras.
E quem não o usa se perde.
Nesse universo fútil e frio,
Desprovido estará.
Sem rumo.
Sem vida.
E de bar em bar, de festa em festa,
Estancar a sangria de uma solidão que castiga.
De uma tristeza que não se sabe de onde vem.
Mas eu sei!
Decore esse nome: Universo das Futilidades.
Pode ser que você nem perceba,
Mas pode ser que você viva nele e nem saiba.
E talvez morra e nem descubra,
Por não dar valor ao que se deveria dar valor,
Sentir o que se deveria sentir,
Viver como se deveria viver.
Sou homem.
Já fui macaco.