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segunda-feira, 11 de abril de 2011

O relógio, o elevador e o ventríloquo.


Fui convidado, nesse carnaval, a brincar em um bloco pertencente a amigos.

Como quase todo bloco, e por todos é sabido, bloco que se preza tem um nome desprovido. O danado é conhecido por Zé Ovão.
O danado do bloco sai lá pelas bandas de Olinda, na Rua do Sol, mas a casa onde se concentra, a parada é sinistra!
Na entrada, o portão, mais parecia de cemitério. E na frente, uns amarelo, gritavam num só condão: entre! É aqui mermo, pode entrar! Num tenha medo não!
Eu, que sou frouxo, mas não sou desprevenido, pensei logo depressa: Mas que parada é essa?! Pensei até em pedir apoio aos amigo, pois matuto que é matuto, bem previnido, é feito malandro: não bobeia!
Ao entrar pelo quintal da casa, que coisa mais estranha: me deparo com uma casa cheia de visita. E era tanta gente esquisita, que mais parecia “rala o in”, essas festa de americano, que nem chapéu de mexicano, que só gosta quem é de lá.
 Mas o tal bloco ainda não era e continuei a me adentrar. Eita! quintal mais cumprido! O portão parece de cemitério e não é que a casa é só mistério e a festa, aonde é que tá?
 Fui andando outro bocado. Parecia não ter fim. Eis que vejo muitos carros e a festança agora sim!
Eita! Que tinha muita cerveja, tinha feijoada, muita risada e um sorteio bem chinfrim.
Coisa pra tirar um sarro, de um bingo engraçado, cujo prêmio eu me calo, que é pra não ficar feio e os amigo, sem receio, no próximo ano, nem mais me convidar.
Tinha um músico da orquestra, que tocava o tal trompete, que me lembrou um tal filmím.
Ele tava tão chapado, que quando o instrumento ele assoprava, era um som ti lim ti lim.
Era desses toques de quartel que, quando se toca, todo mundo se levanta. E já lá pelas tantas, era fácil alguém ouvir, algum gaiato que gritava assim: dá pra tocar aquela do Rin Tin Tin?!
Quando todo mundo já tava bebo, o bloco inventou de sair. Mas era um povo tão morgado, que o fim já era ensaiado, e não é que acabou mermo, quando ainda mal havia começado?
Mas tinha ali por perto um bar por nome esperto, que se chama Maxambomba.  Pense num nome esquisito! E mais ainda era as roupa dos garçon, que mais lembrava escoteiro, com suas roupa engomada, em dia de parada, dando continência, sim senhor!
Sentamos em número de dez. Estávamos conversando alto e eis que um amigo me desafia assim: Me diga, olhando para aquele relógio, qual o defeito que ele esconde? Mas me diga sem demora antes que eu lhe conte!
E eu olhei e nada via, mas quando, como que por brincadeira, quando já tava quase encontrando, o danado não pôde esperar: era o tal algarismo romano, cujo quatro tava escrito, eram quatro, os palito, que o quatro queria indicar!
Eita, que eu falo é matutês! Mas que ignorância é essa, minha gente?! Então assim eu pensei: Pra quê tanto palito? Deve ser por causa do bar! Que é pra moide da gente, os dente empalitar.
Mesmo assim, ainda não foi esse tanto o meu riso. Eis que chega um cantador, com sua viola, e conversa com o garçom. E este, sem muita prosa, se dirige a uma porta e fica a esperar.
Dez minutos se passaram e o cantador ainda esperava por lá. O garçom, já preocupado, vai nas ouça do violeiro, como quem dá um conselho, e o danado, sem atropelo, invade a porta sem empurrar.
E eu que acompanhava estupefato, sem entender de fato, o seguinte a observar: pra onde leva aquela porta de elevador? E porque tanto tempo pra esperar?
Eis que me deparo mais uma vez com o hilário. Era, a tal porta do elevador, a porta do banheiro, mas que danado o marceneiro imitou a porta direitinho, e o meu pensamento, já de bebinho, foi tão longe, que nem pude parar!
Mas, agora lascou-se! E eu sorria e ninguém entendia. Mas eis que o pior ainda viria: O tal cantador, ao passar com sua viola, do banheiro que já saía, alguém na mesa lhe pedia, que uma música ele cantasse, pro moide a todos alegrasse, antes que a conta nos chegasse.
Pra minha total surpresa, o cantador com toda a sua destreza, toca as cordas da viola e anuncia o tal cantar. Mas a cantoria não vinha. E era feito noiva sem valsa, aleijado sem muleta, futebol sem apito.  Eita! E não mesmo esquisito? O relógio com algarismo inventado, O banheiro com porta de elevador e agora um violeiro ventríloquo?  É demais para a minha cabeça!
Comecei com uma crise de riso, ri que nem palhaço em dia de festa, que alguém franziu a testa e disse: eita! Mas vamos logo pedir a conta e antes que esse passe mal, me traga uma água mineral, o troco e um sonrisal!
Minha gente, essa estória de fato aconteceu! E é com H que eu a escrevo, que é pra não cair em erro, e o título desse texto bem que podia assim ser: O relógio, o elevador, o ventríloquo e o bêbado, que pra moide de se alembrar. E é bom que se diga, que isso só acontece em Olinda. Porque terra de gente bacana e bonita, só acontece coisa e tal. E afinal... Faltam quantos dias para o próximo carnaval?

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